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My silly life

Eu confesso que eu sou uma pessoa em uma gaiola, eu não posso fazer nada que eu goste, não posso vestir nada que eu goste, não posso manifestar meu real pensamento diante da minha família e sei que isso é muito vergonhoso, pois pela temática que escolhi para minha vida nada disso faz mero sentido. Minha família é religiosa, meu pai é pastor e minha mãe é a famosa “esposa de pastor” que faz de tudo sobre a igreja, eu sou deísta, mas por nascer em um lar religioso fico em constante luta contra mim mesma em relação a isso. Não sei se eu realmente estou indo pelo caminho certo porque meu pai é teólogo e a minha casa mais parece uma biblioteca com livros de temática religiosa, eu sei que tudo isso faz um bom sentido e tenho um pressentimento de que um dia vou me voltar mesmo para a religião cristã, eu sei bastante sobre ela, e prosseguir nela, mas antes eu queria só experimentar um pouco de liberdade de todo esse mundo que eu ainda não sei nada. As pessoas dizem que quando se fica preso demais você quer experimentar certas outras coisa que você não faz ideia, e sim, eu quero bastante saber o que é fumar, beber, pegar uma briga, sentir a dor e a satisfação que te faz sentir vivo, até experimentar umas drogas menos fortes que me façam voar um pouco, fazer várias tatuagens, e com certeza se eles não tivessem me prendido tanto assim eu não ia precisar disso. Eu teria uma vida normal e convicta de mim mesma. Mas parece que o tanto que uma pessoa não tem de contato com o mundo ela quer recompensar de uma vez futuramente e eu sei que isso talvez não me traga uma boa vida futuramente. Deus deve estar chorando por eu pensar assim, mas eu também estou chorando por isso. Meus pais têm depressão e eu também peguei isso, eu sei que essa prisão minha deve ser resultado disso e por isso eu finjo que está tudo como eles querem, que sou uma cristã, que sou contra o homossexualismo, que sou inteligente, só gosto de músicas evangélicas e clássicas e que sou muito feliz assim também. Mas na verdade o que eu realmente sou é deísta, a favor do homossexualismo, sou bem idiota, sou muito triste, sou anarco-punk e amo rock, metal, punk, ska, música clássica e os afluentes desses estilos, detesto música evangélicas atuais, sim gosto de corais antigos, mas as atuais são meras heresias e bem, acho que eles também sabem disso.
Uma vez eles queimaram minhas poesias e qualquer coisa no papel que eu coloquei meu ódio e sentimentos na minha frente e choraram, eu chorei bem tanto, chorei horas, como sempre fazia, só que dessa vez eu chorei alto e não baixinho para eles não ouvirem, passei anos com noites de horas e horas de choro e eles nem sequer sabem disso. Só sei que não quero falar mais deles, aquele homem e aquela mulher não são meus pais, nunca vou chegar a considerá-los assim, mas para não causar confusões o que me resta é fingir.
Um dia que eu tiver chance de sair de perto de família eu vou fazer isso, talvez nunca mais dê notícias a eles e só fique mandando uma parte de meu dinheiro, porque querendo ou não eles me geraram. Isso é muito mau, mas eu não quero pessoas assim me comandando até na idade adulta, me aprisionando e censurando, tampando meus olhos, ouvidos e boca.
Eu ainda sou uma adolescente e já não estou aguentando mais, o que mais quero agora é sair por aí e arrumar uma briga. Na verdade eu sou muito muito calma, dizem que se eu tomar um chá de camomila eu entro em estado vegetativo, eu também sou preguiçosa, mas acho que é mais pelo fato da depressão, não sinto vontade de fazer nada. Bem, apesar de eu ser calma eu quero me provar viva. Quero que me batam, quero virar a outra face, mas quero bater também, quero dispensar toda a minha raiva, dor e angústia em alguém, mas também quero que essa pessoa se sinta viva. Quero só um pouco de rebeldia, só para mostrar a mim mesma que sou dona do meu próprio nariz, porque essa vida diferente minha já está me consumindo e mesmo sabendo eu só quero ter certeza que eu possuo o meu corpo e não essa outra pessoa que finjo ser. Qualquer oportunidade que eu tiver eu vou bater, não para matar, nem para deformar a pessoa, talvez a outra pessoa ache que é pelo motivo que iniciarei a luta, mas não, é só por mim mesma.
Eu já fiz karatê e talvez saiba me defender fisicamente melhor que antes, mesmo que eu posso ter me esquecido já que parei por motivos físicos. Eu me esqueço muito facilmente e é realmente algo bem sério, esqueço de pessoas próximas e nomes fáceis, eu também estudo muitas outras línguas, que é uma das minhas paixões, e isso deve afetar mais, lembro de nomes em outra língua, mas não me lembro em português. Também vivo muito doente e é por causa da depressão mesmo, estou sempre com a imunidade baixa e sem coragem de nada.
Mas um dia eu vou sair, eu vou me vestir com roupas punks que eu mesma fiz (sou da filosofia do Do It Yourself), vou pegar um cigarro, vou lutar do lado do homossexualismo, mesmo sendo hetero, brigar um pouco ou amar um pouco, não penso muito em ter um relacionamento sério agora, mas futuramente. Não quero tanto ódio no meu coração. E bem, acho que é isso.. se você leu isso tudo até aqui, muito obrigada mesmo, eu acho que precisava desabafar, mas não tenho nenhum amigo sequer com que eu possa desabafar porque todos eles são as amizades que meus pais quiseram para mim, então nenhum vai entender. E espero que não tenham ficado com nojo de mim por pensar assim, acho que é um pensamento sujo, mas todo mundo deve ter ao menos um. Obrigada mais uma vez.

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Escrito por Anônimo

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Parece que vou dar em doida…

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