Eu confesso que sempre fui muito orgulhosa. Eu tive uma infância difícil que nunca consegui compartilhar com ninguém, pois todos pareciam ter famílias normais e estáveis, enquanto eu vivia na insegurança. E hoje eu sou uma adulta infantilizada. Cheia de medos e que deixou de ter várias experiências. Como namorar, por exemplo.
Quando jovem achei que iria fazer coisas incríveis. Tentei fugir dos problemas familiares, mas tive que voltar fracassada para casa. As pessoas olham para você e a única coisa que elas pensam é: você não tentou o bastante, é sua culpa, bem que avisei, você é uma folgada.
Agora mesmo as minhas pequenas conquistas parecem não significar nada. As pessoas dizem que você não deve desistir nunca, mas algumas coisas você tem que deixar ir.
Eu nunca vou ter uma família normal e feliz, e enquanto não "arrumar" minha insegurança não vou conseguir me relacionar com nenhum homem. Enquanto não parar de pensar no que eu acho que esperam de mim nunca vou descobrir as coisas que quero para mim. Estou descobrindo de novo as coisas que quero e no que sou boa.
É difícil abandonar o orgulho. É difícil não ter orgulho num mundo que diz que você tem querer mais, ser mais, ter mais. Uma coisa é não ter nada aos 20, outra coisa é não ter nada aos 30. Tudo é sempre pra ontem.
Quando jovem um futuro em branco era tudo o que eu poderia desejar. As possibilidades eram infinitas. Hoje o futuro está em branco, mas não significa mais infinita possibilidades.
Eu não quero ser uma vítima de mim mesma. Não quero mais me sentir mal, não quero mais ficar pensando no que deveria ser, ou no que deveria estar fazendo, no tempo e nas oportunidades que deixei passar. Mais fácil falar do que fazer.
Agora estou em busca de emprego, não tenho jeito de empreendedora, não sei ser agressiva, então minhas opções são limitadas. Pouca inteligência emocional. A única coisa que sempre fiz bem foi estudar. Preciso sair de casa e construir minha vida. Cuidar de mim mesma.
Nunca fui muito religiosa, mas em horas assim só posso continuar vivendo, e rezar para pedir forças. Tentar seguir os passos do N.A. Um dia de cada vez. Devagar vou seguindo.

