Eu confesso que não sei mais o que devo fazer da vida. Nem mesmo o que eu gostaria de fazer. Tudo estava em perfeito equilíbrio na minha vida, até que há 5 anos minha mãe descobriu um câncer e me contou direito o que era para me poupar, e eu, ingenuamente, apenas acompanhei aqueles 2 anos que ela passou alternando momentos estáveis em casa e outros internada no hospital apósas cirurgias, que foram muitas nesses dois anos. Ela me contava que era um tumor benigno e que nao havia com o que se preocupar, até que ela morreu, há 3 anos, e só então meu pai veio contar. Eu fiquei com raiva mas doía mais era a pena de saber tudo o que ela passou sem contar comigo. E nós éramos muito unidas. Ela sempre foi minha melhor amiga. Meu mundo caiu, depois disso. Eu sentia medo de todo mundo que se aproximava e queria fugir daqui e morar em outro lugar com meu pai e minhas irmãs. Mas a vida teria que continuar,ainda mais pra minha irmã que na época tinha 2 anos… Eu queria fazer parte da criação dela porque sinto que tenho muito da minha mae a passar pra ela, e é o minimo que posso fazer pelas duas. Mas odeio me sentir meio mae dela, igual todos pensam… Porque isso é o que me lembra a tragédia que aconteceu e me faz sentir vitma disso tudo. E virou uma bola de neve e eu nao consigo me recuperar e sempre que eu erro acabo me desculpando sob a desculpa de ter passado por tudo isso. Mas hoje eu vejo o quanto isso me limitou e o quanto deixei de crescer por isso. Só qeu eu sou muito ambiciosa e quero muito fazer a vida valer a pena, poruqe afinal, um dia a gente morre, igual aconteceu com minha mãe. Só que ninguem se dá conta disso quando tem saúde pra correr atrás dos sonhos. Resultado é que esotu infeliz ocm a vida que eu construí nesses últimos 3 anos… Passei pra Economia e estou no 3o semestre, porque sentia que teria vocação pra isso e que isso me possibilitaria passar em um bom concurso para eu ter estabilidade e poder ter mais qualidade de vida. Acontece que até agora fiz um curso empurrando com a barriga, de qualquer jeito, não sou a pior mas também não estou entre os melhores do meu semestre e tenho colgas que se esforçam bem menos que eu, e levam uma vida mais calma, sem feridas como as que eu tenho do passado e tem um currículo impecável. Não estou falando de gênios, mas de pessoas comuns,inteligente mas que criaram uma maturidade que eu ainda não criei pra competitividade, estudos… Eu sou madura pra outras coisas que eles nem sonham em passar por elas na vida, mas pra faculdade, ainda não. Estou querendo mudar de curso e começar tudo de novo. Mas tambem nao sei o que faria… Gosto de pscicologia. Gosto de Direito… Gosto até de Medicina, mesmo depois de todos os traumas. Mas não tenho perspectivas e nem mesmo animo pra correr atras disso porque tenho medo de que isso nao seja uma fase, mas tenha virado uma condição minha. Entao os dias vão passando… E eu simplesmente aceito o legado que me foi dado, mesmo contrariada e profundamente ressentida com tamanha injustiça dessa vida. Já fiz terapia duas vezes e parei porque ela simplesmente não me entendia. E confesso que as vezes dá vontade de desistir de tudo.


Claro. Vou ser direto e sincero com você:
Você passou por uma dor imensa — perder sua mãe, ser deixada de fora da verdade, ter que crescer rápido demais. Isso não é fraqueza, nem vitimismo. É luto mal resolvido, é amor sufocado, é responsabilidade que não era sua, mas que você assumiu.
Você está cansada, frustrada, e se cobrando por não ser perfeita, enquanto carrega uma bagagem que ninguém vê. É compreensível estar confusa, perdida, com medo de que isso tudo tenha te mudado pra sempre. Mas isso não te define pra sempre.
Você ainda sonha, mesmo que em silêncio. E isso mostra que ainda tem vida aí dentro. Talvez agora não seja hora de decidir tudo — mas sim de cuidar de você com mais gentileza. Um passo de cada vez. Você não está sozinha. E não está errada por sentir tudo isso.
Se quiser, posso te ajudar a pensar em novos caminhos. Mas, por agora, só respira. Você já sobreviveu ao pior. E isso diz muito sobre sua força.