A covardia sempre foi minha melhor descrição. Meu maior defeito, criou vida, que eu mesmo cultivei.
Seus braços deformados hoje me asfixiam. Mas não a culpo, eu mesmo a criei.
Ser homem, para mim, tomou outro sentido. Aceitei a submissão como um bom cordeiro. Pouca diferença faz o que será feito do meu caminho.
Sigo por onde existem menos espinhos, e sua ausência me traz felicidade, que novamente é arrancada, no momento em que minha carne é rasgada, e custa a cicatrizar.
O caminho, que antes era rodeado apenas de espinhos, me aproximou de um par de muros, que me cercam os dois lados. O oxigênio se torna cada vez mais nauseabundo. Claustrofobia não é motivo para parar. Andando na linha, o cordeiro apanha menos.
Os muros se aproximam, cada vez mais ao meu redor, não me deixando respirar. Mas eu continuo caminhando, pois dói demais parar. E o muro é muito alto, tenho medo de pular.

