Eu confesso que quero ir para longe, à pé. Andar por esse mundo sem burguesia, apenas com o necessário. Sentir a natureza ao meu redor, contemplando-a até encontrar o verdadeiro sentido da divindade. Não quero emprego, sexo, namoradas, não quero nada disso, só o sentido da vida. Emprego perde-se e orgasmos acabam, quero algo transcendental que possa sacudir a minha alma, algo que não morre e adoece igual o meu corpo físico.
As pessoas são muito artificiais, seguem a moda que vive mudando, igual um macaco que pula de galho em galho. Não aspiram, apenas existem na vida monótona.
Cansei, cansei, cansei. Desde a época da escola, eu era o melhor, não por incentivo dos pais, não por querer e ser o melhor no ramo profissional, mas por querer viajar, encontrar novos horizontes. Em suma, ter dinheiro para isso.
Quero voltar para a natureza, mas sou louco, insano, maldito e rebelde por isso. Pelo menos, é o que dizem as pessoas.
Mas tenho receio de deixar essa vida monótona, por medo dos humanos pelas estradas ao anoitecer.;São piores que tigres e qualquer tempestade e cobra peçonhenta. Pois os animais selvagens seguem o instinto calmo da natureza perfeita, mas os seres humanos seguem à seus desejos. Seria violentado.

