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triste

Ninguém determina de antemão e do princípio ao fim o caminho que seguirá na vida. O
máximo que fazemos é optar por trechos, com maior ou menor ousadia, à medida que
prosseguimos em frente. Ocorre que, a cada novo trecho do caminho, nós nos deparamos com
novas realidades e com possibilidades desconhecidas que alteram não só as nossas expectativas
sobre o futuro, mas que podem colocar o percurso já transcorrido sob uma nova luz e
perspectiva. O conhecer modifica o conhecido.
É por isso que tudo o que vivemos, ou seja, toda a nossa experiência passada e a imagem
que temos de nós mesmos são na melhor das hipóteses construções provisórias, sujeitas a
revisões mais ou menos drásticas de acordo com o caráter do que vamos descobrindo e
vivenciando ao longo de nossa trajetória pessoal. A literatura mostra e a vida comum confirma
que experiências críticas em nossos percursos — uma doença grave, uma perda sentida, uma
conversão espiritual, uma crise afetiva, um acidente, um grande desafio profissional, uma
terapia profunda — podem nos levar a rever profundamente o valor e o sentido do nosso
passado e as crenças que alimentamos sobre nós mesmos. Nenhum ser humano pode descartar
o risco de, na manhã cansada de um dia anêmico, descobrir-se repetindo em silêncio para si
mesmo (sem fingir) o lamento do poeta: “Fiz de mim o que não soube, e o que podia fazer de
mim não o fiz”.

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Escrito por Anônimo

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Lu

EU E A MINHA BOCA GRANDE