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Do swing ao casamento liberal

Em 19 anos de casamento e 10 de swing e relacionamento liberal, já passamos por dezenas de crises relacionadas ao meio e outras muitas relacionadas à vida cotidiana a dois. Neste pequeno texto, quero relatar a nossa primeira crise séria dentro do casamento liberal e o que fizemos, meu marido e eu, para contornar a situação. Na verdade conhecemos o mundo do swing por conta própria, como não tínhamos coragem de abrir nossos desejos a nenhum conhecido, e, na época não existiam tantos meios eletrônicos para esse fim, resolvemos mesmo freqüentar uma casa de swing da nossa cidade. No início achamos tudo muito frio e sem graça, mas, com o tempo fizemos um grupo de amigos e começamos a sair. Nós nunca tivemos muito ciúmes e sair com outras pessoas estava nos excitando muito.
Primeiro começamos a sair com casais e, depois de um tempo, com pessoas sozinhas, mas sempre juntos. Até que eu confessei ao meu marido que tinha vontade de deixar ele sair sozinho; e ele, claro, se animou com a idéia e também me confessou que já tinha tido tal desejo. No dia dessa confissão fizemos muito sexo de tão excitados que ficamos. A primeira vez que ele saiu sozinho, foi um misto de nervosismo, tesão e ciúmes difícil de explicar. Mas excitante ainda foi a vez que eu sai sozinha para me divertir. Enfim, entramos em outro aspecto na relação… o mundo liberal, do qual o swing é apenas uma parte. Começamos a achar tudo isso muito excitante e essas saídas separadas começaram a ficar mais freqüente, mas também não deixamos de sair juntos.
Temos três filhos, então sempre tivemos que saber lidar com o fator tempo. Saíamos normalmente da seguinte forma: Sozinhos, dia de semana… juntos uma vez a cada dois ou três semanas (no final de semana) e o resto era dedicado à família, o que sempre foi a maior parte do tempo.
Nossa primeira crise veio quando meu marido confessou que queria sair com uma garota do curso que ele fazia pela manhã de pós graduação. No começo, resisti e disse que isso não iria funcionar e ele acatou. Mas aquilo não me saiu da cabeça até que fiz uma contra proposta, disse que deixaria ele sair uma vez com a tal garota, caso eu também pudesse sair com o Thiago (nome fictício) um colega de trabalho. Meu marido não gostou da idéia e resolvemos não tocar mais no assunto.
Algum tempo depois meu marido perguntou se eu ainda queria “dar” pro meu colega de trabalho e eu disse que sim, prontamente. Então ele disse que deixaria caso ele pudesse sair com a tal garota. Aceitei, e assim fizemos… as saídas dessa vez foram ao mesmo tempo, no mesmo dia e na mesma hora! Combinamos assim para que não houvesse arrependimentos. Tudo correu normalmente e eu e ele ainda fizemos sexo na mesma noite, haja fogo. Acontece que comecei a perceber que ele estava querendo sair mais vezes com essa garota, percebia isso no jeito dele e ai eu fiquei “louca”, mil coisas passaram pela minha cabeça: “E agora, e se ele se apaixonar por ela?”, “será que ele não gosta mais de mim?”, “o que essa menina tem de especial?” enfim, comecei a sentir aquele ciúme clássico que vem agregado com um medo louco de perder.
Ainda deixei que ele saísse umas três vezes com a tal garota, e acabei saindo mais 2 vezes com meu colega. Mas percebi que eu, por conta dos meus maus pensamentos, comecei a tratá-lo mal. Semanas depois li um depoimento de um casal que não fazia swing, mas que só liberava um ao outro, esse casal vivia isso de forma tão intensa que até viajavam com seus pares, eu achei aquilo muito fora da realidade, mas como percebi que meu casamento tinha caído numa crise, resolvi perguntar ao meu marido se ele me deixaria viajar com outro homem, viagem curta, um ou dois dias, e assim o fiz, pegando ele de surpresa.
Quando fiz a pergunta, minha intenção era causar espanto e fazê-lo entender alguns limites, mas, para minha surpresa ele sorriu e disse: essa idéia me excita! Essa noite,fiquei tão desconcertada que resolvi me abrir e conversar com ele sobre tudo que estava me afligindo.
Disse a ele que tinha medo da colega estragar a nossa relação e que eu achava melhor sair com pessoas desconhecidas para que isso não acontecesse. Meu marido disse, com munta firmeza e milhões de vezes que nunca me deixaria e que aquilo era só tesão e sexo, mas, que ele, diferentemente de mim, não sentia tanta vontade de “variar o cardápio” (palavras dele rss) que ele gostava de uma certa intimidade com a outra pessoa, mas que nunca saiu com a garota sem que eu soubesse. Demorei um tempo para digerir tudo aquilo, pois pra mim, isso é muito perigoso e chegamos juntos a uma solução prática para o problema.
1º Ele disse que toparia a minha tal viagem caso o rapaz soubesse que era um trato nosso, e eu fiz questão da mesma forma com relação a colega dele, ou seja, que ela soubesse que nosso casamento era aberto e que ninguém seria enganado.
2º Que, caso gostássemos dessa experiência de viajar, que isso NUNCA passasse de uma vez por ano. Por dois motivos, primeiro pelo financeiro, segundo porque viagens nossas (eu e ele) serão prioridade.
3º Se as coisas começassem a se confundir que seriamos sinceros um com o outro e que, pararíamos.
Confesso que achei que meu casamento estava por um fio. Meses depois ele foi o primeiro a viajar. Tentei levar na boa e preenchi meu tempo com os filhos, ele passou dois dias com ela e, quando voltou, tudo estava perfeitamente normal, vida sexual, rotina, etc.
Um mês depois, conforme nosso combinado, foi a minha vez. Viajei com outro homem que conheci no meio e que tive muita afinidade, ficamos também dois dias e foi ai que a mágica aconteceu.
Percebi que, foi uma oportunidade única de realmente sair da rotina. Viajar com outra pessoa foi uma experiência realmente gostosa e relaxante, vivi a liberdade no seu real sentido. A pessoa sabia que se tratava de algo onde não havia traição e que não havia chance nenhuma de deixar meu casamento por aquilo. Ficou claro, desde o primeiro momento que era uma viagem entre dois “amigos” coloridos, e essa clareza foi muito importante.
Quando voltei, compartilhei com meu marido tudo que senti e ele me disse que sentiu a mesma coisa. Nossa cumplicidade aumentou e agora, todo ano viajamos separados para viagenzinhas curtas e rápidas (nunca mais que uma vez no ano).
Muita gente pensa: Nossa! Que casamento bagunçado! Mas, claro, temos nossas regras e são muitas. Vou listar algumas para vocês enxergarem como um casamento liberal pode sim dar muito certo. Após muita conversa chegamos às seguintes regras.

1ª – Nosso casamento e nossos filhos são intocáveis.
2ª – Caso estejamos saindo com a mesma pessoa, que essa pessoa saiba de toda a verdade para não criar falsas expectativas.
3ª – Viagens sozinhos com outras pessoas, apenas 1 por ano, e sempre curtas.
4ª – Dormidas fora de casa no dia-dia, no nosso caso, estão proibidas.
5ª – Continuar aprontando juntos de vez enquando (apesar das saídas liberais nos excitar mais).
6ª – Fazer, pelo menos, 1 viagem em família por ano.
7ª – Nunca fazer sexo sem proteção, nem com os fixos.

Hoje praticamos religiosamente essas regras e nem eu nem ele estamos atualmente com “namoradinhos” fixos, mas quando acontece deixamos rolar sempre respeitando as 7 regras.
Nosso amor hoje é livre de desconfianças e neuras, além do que, nosso sexo melhorou mil por cento. Uma vez por ano viajo ou para encontrar com pessoas de outras cidades ou com namoradinho fixo para curtir final de semana.
Se você também é adepto ou adepta de swing ou qualquer outra forma liberal no casamento, nunca deixe de se abrir com seu ou sua companheira, o segredo do casamento duradouro é o respeito mútuo e a verdade acima de tudo

Anna Luiza Santos Bernaltti

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Escrito por Anônimo

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