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Eu não consigo decidir meu futuro!

Então, eu me formei em direito e não exerço a profissão. Eu amava o curso, mas não estava nada feliz com o meio em que se vive nele, o caráter das pessoas, etc. Passei um curto tempo estudando para concursos, tive ótimas pontuações nos que tentei, mas nunca estudava pra valer, então, sempre batia na trave. No meio do ano passado apareceu a ideia de fazer medicina na Argentina. Como medicina era um sonho, não um SONHOOO, como aquelas pessoas que ficam anos no cursinho pra isso, mas um sonho antigo que ficava guardado lá no fundo do coração, resolvi largar tudo e ir. Larguei família, amigos, namorado.. vim sem ter feito nem mesmo um mês de cursinho, sem lembrar um "a" do ensino médio, para fazer um curso intensivo onde faria o primeiro ano da carreira em 3 meses. Pesquisei muito, ouvi as melhores coisas de todas as pessoas para quem perguntei: o país era ótimo, a faculdade era muito boa, pois 90% dela é de brasileiros. Não, não seria fácil, afinal, estamos falando de medicina, mas enfim, era uma vida que dava para ser vivida. Ao chegar, me deparei com uma cidade assustadora, principalmente pq eu estava vindo de uma cidade de 100 mil habitantes. Uma cidade grande, muito cara, e nada receptiva. As pessoas são mas, debochadas, desrespeitosas. Ainda assim, poxa, nada é perfeito. Dava para aguentar. Ao começar a faculdade, veio o primeiro desespero: eu não lembrava nada do que estava tendo de matérias básicas de ensino médio, e eu não tinha tempo para estudar tudo aquilo. Para piorar, a faculdade é terrível com você, se você é brasileiro. Sofri todos os tipos de xenofobia possíveis. Não tinha nenhum tipo de auxílio quando precisava. Comecei a enlouquecer. Passava quase o meu dia inteiro estudando e no final me dava conta de que não sabia nada. Era desesperador correr contra o tempo. Ademais, sentia falta da minha mãe e do meu namorado, me sentia sozinha no mundo, como se ninguém mais estivesse comigo. Os cabelos começaram a cair, comecei a ter falta de ar, dormir mal e só chorava. Morando num apartamento monoambiente, sem quarto, dividindo com um amigo. Fazendo um colchão de casal de divisória entre nós. Veio a primeira prova, surtei. Passava madrugadas acordada estudando e ao fim da noite, estava desesperada, pois não sabia nada e ainda tinha muito a estudar. A prova veio tranquila, consegui passar com uma nota boa, o que me motivou a continuar lutando. Orando todos os dias, me esforçando para gostar da cidade, para esquecer a saudade, para estudar mais e mais. Veio a segunda prova, estudei muitas noites seguidas.. minha mãe ligava e dizia "filha, agora vai descansar um pouco" e eu chorava desesperada dizendo que não podia, pois tinha que estudar. Sair de casa? Passear? Esquece! 3500 reais não sustentam quem estuda em particular aqui. E nem tempo eu tinha. E mesmo quando tinha tempo, a consciência não me deixava sair. Se eu ficasse 15 minutos na rua, já batia aquele desespero absurdo gritando na minha cabeça que eu deveria estar estudando. O dia da prova chegou e foi assustador, não sabia nada. Havia estudado tudo e tinha certeza que não passaria, pois a matéria não era a que me tinha sido dada. Sai da prova tremendo, gelada e branca. No fundo, meu peito de aliviou, pq talvez eu tivesse um motivo para voltar ao Brasil: não fui aprovada, tudo bem. Mas veio o resultado e fui aprovada. E eu sei que foi um "favor" da faculdade, pois eu não sabia nada daquela prova. Hoje, não me vejo aqui, não me vejo vivendo esse desespero por mais seis anos e depois mais tempo para passar no revalida, fazer uma residência. Só de pensar que eu vou surtar toda semana, quero sumir. Penso em voltar, fazer OAB, estudar alguns anos para concurso, e viver na minha profissão, que talvez não me faça tão feliz, não dê tanto dinheiro, mas que só terei que lutar para exercer, e estarei em paz, perto de quem eu amo. Pergunto.. é loucura largar tudo? Estou tão em paz por não caber nesse sonho. As vezes sonhos podem ser apenas sonhos, não é? Eu não sacrifiquei minha vida por isso.. tenho minha profissão. E essa faculdade é tão incerta. O que vocês acham?

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Escrito por Anônimo

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