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ME APAIXONEI PELO MEU PROFESSOR DA FACULDADE

Era 2015 e foi ali que tudo começou. Eu estava no terceiro período do meu curso e ele entrou na sala se apresentando. Em um primeiro momento, sua aparência e jeito de falar me chamaram atenção mas logo passou e eu não dei muita importância. Entre uma aula e outra criei uma certa implicância sem entender com ele. Não achava graça nas suas piadas sem graças que todo mundo ria, não achava interessante o que ele falava e cada palavra que ele dizia era uma careta diferente que eu fazia. Quando todos riam de suas gracinhas, eu ficava séria. Disse para uma amiga que achava ele "cheio demais" e acredito que ele tenha ouvido pois dali em diante começou a me trazer com frieza. Foi em uma prova, onde eu comecei a repensar no que realmente estava acontecendo. Ele, entregando as provas para cada um, derrubou todas elas em cima de mim quando se aproximou, ficamos sem graça e ele pediu desculpas. Ajudei ele a juntar as provas e ele continuou, indo para o lado derrubou uma carteira que ali estava. Novamente pediu desculpas e ficou mais se em graça ainda. Foi ali que eu me dei conta que alguma coisa estava acontecendo. Logo o semestre acabou e eu não teria mais aula com ele, essa se tratava de uma última prova. Então vieram as férias e eu não pensei nele, achei que não fazia sentido nenhum. Quando as aulas começaram e eu esbarrei com ele pelo corredor logo no primeiro dia foi onde nossos olhares se cruzaram pela primeira vez em meio a multidão. Nos olhamos de forma tão fixa que não fomos capazes de desviar, pensei em cumprimentar mas falhei. No outro dia, cumprimentei e ele respondeu seco. Na outro dia, também. Foi aí que eu desisti de me aproximar e passei a ignora-lo toda vez que o via pelas escadas e corredores da universidade. Foi aí que os olhares começaram a ser mais intensos, nos esbarravámos todos os dias, em todas as entradas, saídas para o intervalo e saídas para ir embora. Todos os dias passamos a nos olhar fixamente sem desviar o olhar, daqueles olhares que entram na alma de tão bem que fazem. Percebi que era paixão quando comecei a me arrumar mais, sentir ciúmes e procurar por ele em todos cantos da universidade. E então o semestre acabou e para a minha surpresa no próximo lá estava ele, dentro da minha sala, dando aula para aula minha turma novamente. Segundo ele, tinha abrido mão de outra turma para dar aula para a minha pois ele queria dar aula para aquela turma. Ali os olhares se tornaram mais intensos ainda e era o meu dia preferido da semana. As coisas melhoraram a partir dessa matéria onde ele começou a me cumprimentar além de olhar, elogiou minha apresentação de trabalho dizendo que estava ótimo quando se tratava de um professor extremamente exigente com poucos elogios. Quando ele me chamou por apelido foi onde meu coração se derreteu. Lembro até hoje em uma das aulas onde eu estava sentada na frente perto da mesa dele e ele se abaixou para mexer no cpu do computador e encostou sua cabeça na mesa e ficou me olhando, ali tão pertinho e na frente de todos. Obviamente ninguém reparou mas eu sim, eu reparei muito. Sempre me tratou com muito respeito e carinho, sempre simpático e disposto a me ajudar. Me acalmou quando eu disse que estava com medo de reprovar em sua matéria dizendo que com ele eu não reprovaria. Perguntou como estavam as outras matérias e se eu estava achando muito difícil. Puxou papo, abriu a porta da sala para eu sair, me ajudou e ganhou meu coração. Acabou o semestre e com isso as aulas com ele também. Foi a última matéria que tive com ele, infelizmente. Final do curso chegou e com ele o temido TCC, ele foi escolhido para estar na banca da minha amiga. Fui no dia assistir a apresentação dela e lá estava ele sentado e falando com aquela voz mais linda que eu já ouvi. Quando acabou a apresentação continuamos na sala para assistirmos as próximas porém com um pequeno intervalo. Ele se levantou e saiu da sala, alguns minutos depois eu resolvi sair para ir no banheiro e quando eu abri a porta nos batemos de frente, ficamos sem graça e desviamos. Voltando para a sala ele conversava com um outro professor e eu com minhas colegas, ele não prestava atenção na conversa que estava tendo de tanto que me olhava. E aí, foram se passando os dias e os meses e a frequência com que eu via ele diminuiu e muito. Eu continuei sentindo o mesmo, ele não tanto aparentemente. Agora estou de férias, meu próximo semestre será o último e tudo isso ficará apenas em minha memória.

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Escrito por Anônimo

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